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O GARIMPEIRO E
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José Raimundo é um dos últimos remanescentes do tempo em que o cristal era a riqueza da Chapada dos Veadeiros. Hoje, tem uma cachoeira que só funciona metade do ano
Foi mergulhando nessa paisagem flutuante que José Raimundo passou os últimos 38 anos. Enquanto olhava para aqueles morros imensos, que se perdem de vista, conhecia o cerrado, mergulhava em seus rios e cavava. Cavava muito, embrenhando solo adentro em cisternas profundas à procura de um bom veio de cristal. Quando encontrava - e não foram poucas as vezes -, agradecia à mãe-natureza e ia fazer a festa na cidade. "Ganhei muito dinheiro, mas também gastei muito", diz ele, que vive com simplicidade e apenas com o necessário. Hoje, aos 85 anos, Zé Raimundo é um sertanejo ilustrado e continua cavando. É o último dos garimpeiros que começaram a chegar ali há 70 anos e, como a maioria, soube do cristal da Chapada ‘de ouvido’. Então, veio a pé da Bahia. "Não vou parar. É a minha vida".
Ao mesmo tempo, escreve um livro para contar essa história e quer transformar suas propriedade - onde estão o rancho e cavidades e sobras de cristal- em um parque ecológico-cultural. "É preciso preservar para mostrar para o pessoal do futuro como isso aqui foi um dia", explica. Neste início de milênio, o garimpo esgotou-se na região e deu lugar ao ecoturismo. José Raimundo apóia a transformação, mas acha que tem muita gente chata envolvida. "Tem um povo que chega aqui e não quer que você arranque uma folha do mato. Querem ser donos de tudo. Ecologia certa é a que eu faço. Eu preservo e planto árvores que dão fruta, porque serve para mim, para o ser humano que está passando ali e para os animais". O ser humano que tem passado por ali quase sempre tem sido o turista - inevitavelmente a caminho da cachoeira. ‘preguiçosa’. *Reportagem de Paulo José *Fotos de João Fernandes |