O BEM BOM DO TURISMO RURAL

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Preservação à moda caipira

Pôr-do-sol no município de Serranópolis, Sudoeste de Goiás

Acordar cedo com o galo cantando, tomar leite fresco de vaca ou cabra e se deliciar com os quitutes preparados em um fogão à lenha. Com essa doce rotina começa o dia em uma fazenda, mais precisamente um hotel fazenda onde não é preciso se preocupar com nada além de contemplar a natureza e escolher as atividades que mais agradem. Andar a cavalo, pescar ou acompanhar etapas da produção agrícola e pecuária, tal qual 'Madalena', cantada pelo músico baiano Gilberto Gil.

O turismo rural é isso e muito mais, um nicho do setor turístico que tem tudo a ver com o Brasil, mas que só agora vem ganhando impulsos significativos, favorecidos pela liberação de linhas de crédito oficiais específicas. No espaço deixado pelos destinos turísticos tradicionais, que em feriados e altas temporadas têm esgotada com muitos dias de antecedência a capacidade de hospedagem, esses empreendimentos emergem com força.

No Brasil, no entanto, há anda um vasto campo a ser explorado, a julgar pela realidade do turismo rural em países europeus que estão entre as maiores referências de destinos turísticos do planeta. Na Espanha, França e Itália, por exemplo, esse segmento já é considerado um dos dois mais importantes, só perdendo, geralmente para o turismo histórico.

Passar uns dias na fazenda é uma Clique aqui e aprenda a fazer pé-de-molequeatividade ao mesmo tempo relaxante para quem tem alguma ou toda afinidade com o campo e inusitada para grande parte das crianças e adolescentes das cidades grandes. Muitos só vêem pela primeira vez uma vaca ou uma galinha viva e em seu 'hábitat', aos 15, 16 anos de idade. Há ainda a chance de experimentar sem correria a culinária caprichada e original do campo e até mesmo um pé-de-moleque feito na hora, como o que o João de Paula - esse aí no fogão ao lado - faz para os visitantes de seu sítio (para aprender a receita clique na foto).

E se por um lado o turista ganha em diversidade de entretenimento, os municípios, proprietários rurais e até comerciantes das pequenas cidades recebem influências positivas da exploração mais intensa desse nicho. A atividade agrícola, sempre repleta de riscos, inadimplente e atrelada às políticas oficiais passa a conviver com uma outra atividade mais segura e previsível, em que a profissionalização é a chave para vender e agradar com um tipo de produto que não depende da colaboração de São Pedro.

Pasteurização, não!

O turismo rural no Brasil se desenvolve num momento de intensa discussão de exploração sustentável do meio ambiente e já tem presença garantida na pauta de discussões dos conselhos municipais de turismo e meio ambiente constituídos em diversos municípios, notadamente os que experimentam a administração participativa.

Surge, enfim, uma alternativa econômica de forte apelo para contrapor o avanço das monoculturas de grãos, a transformar áreas de exploração rural em campos limpos de árvores e de qualquer outra forma de vida que resista a herbicidas e outros agrotóxicos. Uma boa notícia, com certeza, para todos os que não se conformam com a 'pasteurização ' do meio ambiente.


*Reportagem de Evandro Bittencourt
*Fotos de Weimar Carvalho (ITS) e Paulo J.S.