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FUTURO EM LIQÜIDAÇÃO | ||
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Repare nesta
foto. Ela mostra a perigosa realidade vivida hoje pelo Parque
Nacional das Emas, a maior área contínua de cerrado preservado do Brasil.
O que vemos é um trecho de seu entorno, que, ao invés de ostentar uma
vegetação nativa, pois é área de proteção ambiental, revela-se apenas uma
região absurdamente degradada.
No primeiro plano, as emas - espécie típica do bioma- buscam alimento, indiferentes ao trator que destrói seu habitat. No fundo, um imenso chapadão, preparado para as lavouras de soja, e duas pequenas ilhas de eucaliptos. Estes são as únicas árvores encontradas e sua função não é ambiental, mas, sim, a de proteger as sedes das fazendas e os silos do vento e da chuva. Para os especialistas, neste ritmo, o futuro do parque é duvidoso, pois, visivelmente, ele começa a ser comido pelas bordas. Sem preservar as áreas do entorno, a situação só vai piorar, afirma o sertanista Antônio Malheiros, que ajudou a implantar o parque, foi seu diretor e trabalhou ali em 30 dos 38 anos de existência da unidade. Testemunha ocular da destruição maciça do cerrado, no sudoeste de Goiás - empreendida a partir do início da década de 70 principalmente por agricultores do Sul do Brasil, em busca de uma nova fronteira agrícola -, Malheiros diz que a pressão externa já começa a estrangular o parque. "Nos anos 60, o potencial de vida que existe ali, hoje, existia em toda a região. A modificação foi tão radical que a unidade tornou-se uma ilha", testemunha. Riscos e Foras-da-Lei Se dentro, a grande ameaça são os incêndios - mas que podem ser controlados com o manejo do fogo -, fora, a situação é mais grave, porque depende da livre iniciativa e a conseqüência, vê-se, tem sido desastrosa. A postura é simples: como ninguém cobra, ninguém preserva. Até mesmo a
reserva legal, que, como diz o nome, é obrigatória por lei, é
desrespeitada. Ali, apenas 20% das A devastação das matas de galeria do Rio Jacuba, por exemplo, pode colocar em risco o futuro de animais como a onça-pintada, que as utiliza para se deslocar de um ponto para outro. A contaminação provocada pelos agrotóxicos usados nas lavouras é outra ameaça para a fauna, o solo e os recursos hídricos. Mas, a demonstração clara de que algo precisa ser feito com urgência é a visível redução da população das emas que batizam o parque. "O habitat delas foi totalmente descaracterizado e elas sumiram", conta Malheiros. Encontro de Vida
São 131 mil hectares de vegetação nativa, onde restaram as maiores populações do cerrado de veado-campeiro - foto acima, tamanduá-bandeira, ema, lobo-guará e onça-pintada, além de espécies como cervo-do-pantanal, tatu-canastra, paca, gato-palheiro e o quase extinto cachorro-do-mato vinagre. Há também espetáculos, caso dos cupins que ficam iluminados todas as noites, de setembro a dezembro, graças a milhares de larvas de vaga-lumes. "O mundo inteiro reconhece o valor do parque, menos o Brasil. É um patrimônio fantástico", diz Malheiros. PARQUE NACIONAL DAS EMASLocalização: Sudoeste de Goiás Distâncias: 480 km de Goiânia e 680 km de Brasília *Reportagem de Paulo José *Fotos de Paulo Rezende (Studio Graphia) |