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Donas de casa fazem da
argila a matéria-prima para o artesanato
e a amizade
São 7 horas de noite de domingo. No
galpão recém-construído, um grupo de senhoras bebe café e conversa
animadamente. Longe de ser apenas uma reunião de lazer, elas estão
trabalhando. Entre um gole e outro, observam, lá fora, o fogo altíssimo
escapando do forno. Seus semblantes se iluminam e a animação toma conta:
está garantida mais uma série de potes e objetos de argila.
As senhoras são artesãs do povoado de Lajes, no município de Colina do
Sul, no Nordeste de Goiás. Comandas principalmente pela donas Maria
Santinha, Dica e Lena, elas produzem há vários anos um artesanato
estritamente regional, em que a temática, além de potes que lembram a arte
indígena, é constituída de animais, que inclui de veados-campeiros a galos
madrugadores. A produção, feita em pequena escala, sempre foi vendida na
própria região.
Há cerca de um
ano, porém, esta produção começou a crescer e, agora, a meta é colocar o
artesanato nos pontos turísticos da região e ainda em Brasília e Goiânia.
O principal motivo do crescimento foi a construção do galpão de
manufatura, patrocinado pela ONG Espaço Infinito Lazer & Ecologia, que
transformou-se em centro comunitário e produtivo. Explica-se: é que antes
dele, a produção de artesanato só funciona no período da seca. Quando
começavam as chuvas, a atividade era suspensa por falta de local. Assim,
as artesãs só tinham como trabalhar metade do ano.
Com a melhoria nas condições, isso começou a mudar. Dona Maria
Santinha, de 70 anos, por exemplo, ganhou outro fôlego e passou a
percorrer os três quilômetros que separam sua casa de Lajes para mexer com
a argila e ensinar a arte a quem quiser aprender. Oriunda de família que
sempre trabalhou com cerâmica, ela aprendeu cedo os segredos do barro.
Hoje, os divide com todos e os usa em casa e no galpão. Mais: antes só
três mulheres faziam artesanato; agora, são oito e o número deve crescer.
*Reportagem de Paulo José e João Fernandes *Fotos de João Fernandes
Altiplano.com.br (Goiânia, Goiás, Brasil, 1999)
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