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CORREDORES PARA A VIDA | |||
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As faixas de preservação fora dos
parques tornaram-se Apesar da existência de grande variedade de recursos vegetais no sistema dos cerrados, utilizados como alimento por uma fauna variada (como o tatu-canastra acima), não ocorrem grandes concentrações destes recursos, pelo contrário, eles se encontram dispersos em amplos espaços geográficos. Além disso, as floradas, a maturação dos frutos, a rebrota das gramíneas etc não acontecem simultaneamente em todas as áreas do sistema e estão na dependência direta de fatores locais, como ação do fogo natural, microclimas regionalizados e outros. Por esta razão, apresentam certo grau de diferenciação quanto à época ideal para consumo, de local para local. Apesar de esses eventos obedecerem a ritmos climáticos e ciclos biológicos, a diferenciação de uma área para outra pode durar vários dias e, em certas áreas, até mais de um mês. E, quanto maior for a distância entre essas localidades, maior será essa diferença, mesmo ocorrendo na mesma estação. Esses elementos, brotos macios das gramíneas, floradas e frutos constituem o alimento básico para certo tipo de fauna, que, por sua vez, sustenta animais com outros hábitos alimentares, estabelecendo assim uma complexa cadeia ecológica. Portanto, se os recursos vegetais não estão concentrados e sua eclosão varia de região para região, isto significa que a fauna se vê obrigada a grandes movimentos migratórios. Exaustão do Bioma O processo de degradação a que no momento está submetido o sistema dos cerrados tem restringindo em muito o espaço das áreas não-degradadas, pior ainda, tem colocado, entre uma área intacta e outra, vários tipos de obstáculos que quebram a continuidade destas - caso das rodovias, ferrovias, centros urbanos, lavouras, represas etc. Estes fatores, no seu conjunto, reduzem em muito a possibilidade de sobrevivência de grande parte da fauna terrestre dos cerrados, pois esta se vê obrigada a migrações cada vez mais longas para a obtenção de alimentos e, nessa busca, tem de atravessar os obstáculos criados artificialmente, fato que, quanto não provoca a morte das espécies migrantes, leva-as à debilidade e à exaustão, pela não existência de alimentos nessas áreas. Quando por ventura as espécies conseguem atingir áreas intactas, ou com níveis de degradação suportáveis, estão suficiente debilitadas e podem tornar-se presas fáceis para os predadores. Essas são apenas algumas das questões que a situação atual tem criado, fato que se torna mais grave quando se constata que grande parte das espécies frutíferas dos cerrados tem sua disseminação efetuada pela fauna. Até mesmo parques nacionais implantados no sistema dos cerrados funcionam apenas como paliativos, não cumprindo a função ecológica que se deseja, uma vez que se configuram ilhas, separadas por amplos espaços degradados. Conexões e Soluções Entretanto, essa situação
pode ser contornada, quando se trabalha a noção dos corredores de
migração (como a mata ciliar ao lado), áreas
preservadas na forma de faixas ou corredores, que têm por objetivo manter
a conexão entre as A noção dos corredores de migração deve fazer parte dos planejamentos para a construção de estradas, centros urbanos, lagos e represas, implantação de atividades agropecuárias, instalação dos parques nacionais, reservas, áreas de preservação ambiental, reservas para depósito de material nocivo etc. Somente trabalhando essa noção é possível estabelecer uma eficiente política de planejamento ambiental e organização espacial nas áreas dos cerrados, fato cientificamente possível e economicamente viável. Dentro desta perspectiva, foram selecionadas algumas áreas consideradas críticas e estratégicas do ponto de vista dos processos de degradação ambiental, da migração faunística, das atividades humanas já estabelecidas e por representarem áreas muito importantes para o equilíbrio do sistema como um todo. Sugere-se que nestas áreas sejam efetivados, com certa urgência, programas de planejamento ambiental e organização de espaço, inclusive com recuperação de áreas degradadas - programas estes embasados na pesquisa científica local, sem se perder de vista a totalidade dos sistemas e a noção dos corredores de migração, que devem interligar todos os espaços preservados da modificação antrópica. Artigo dos pesquisadores ALTAIR SALES BARBOSA, ROBERTO MALHEIROS e WAYNER OLIVEIRA, do Instituto do Trópico Sub-úmido da Universidade Católica de Goiás Fotos de Paulo Rezende (Studio Graphia) Altiplano.com.br (Goiânia, Goiás, Brasil, 1999) |