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Reflexões à margem do vernáculo histórico da Arquitetura Brasileira
Paulo Bertran
Estas são observações de muitas viagens no país e no
exterior, experiências de construir e viver em casas de barro, o
treinamento do olhar de historiador deambulando pelas velhas casas e
cidades. Iconografias várias vezes revistas, livros lidos erraticamente
e aos montes, conversas com amigos arquitetos...
Assim, então foi se constituindo uma tal qual ótica paralela em torno ao mesmo assunto,
revestindo-se de tempo no fundo das gavetas, com seu cansaço teórico
consolidando o texto, em panejamentos necessariamente sintéticos, visto
as dimensões amplas, pouco esmiuçadas ao presente, de elementos a serem
pinçados para uma História de Arquitetura no Brasil.
À mesma linhagem paradoxal e amalgamadora pode-se acostar a casa
colonial brasileira. Vejamos.
De fato, em Portugal, sobretudo no sul, há algumas
edificações em barro - dominantes na tradição brasileira residencial -
porém mesmo ali, em clima mais quente, imperam as casas de pedra. A
palavra árabe adobe, não filia Portugal necessariamente ao seu uso
intenso, mais comum às regiões moçarabes semi-áridas ao sul do
Mediterrâneo. Impensável passar-se um longo inverno europeu nas gélidas
eco-ressonantes casas de adobe ou de barro em geral, em alta escala.
De Trás - os - Montes ao Algarve, quase que só abunda a
habitação rupestre, que responde bem ao clássico clima europeu de quatro
estações. A pedra parece que reage mal às variações de clima. É demorada
em repassar calor ou frio, o que permite ao morador da habitação
aquecê-la por dentro, mediante fogões e lareiras, conforme avancem o
outono e o inveno.
No horrendo e seco calor português do meio do ano, as
paredes de pedra, más condutoras do calor externo, ajudam a manter uma
certa umidificação dos interiores. E, à medida que o clima esfria,
dificulta que o calor interno de fogões e "chauffages" esvaia-se
rapidamente. Pedras são elementos, digamos assim - burros - custam a
aprender e custam a desaprender as variações climáticas.
Quando, ainda na primeira metade dos anos de 1500,
começaram os portugueses a empreender a colonização agrícola açucareira
da mata atlântica brasileira, fazia já um meio século de sua experiência
de choque e de absorção de culturas e de eco-sistemas até então não
trabalhados na África Ocidental e Oriental, na Índia, na China e no
Japão. Climas tropicais.
Apesar de viajantes ocasionais, como o notável Marco
Polo, era a primeira vez, desde a flotilha de Vasco da Gama, que a
civilização ocidental expunha-se em peso ante às antiquíssimas e
estratificadas sociedades do Extremo Oriente, as únicas que sobreviveram
às civilizações clássicas de há 4 mil anos.
Na Índia, verdadeiramente, exceptuadas as limitadas
experiências nos arquipélagos da Madeira e Açores, o português aprendeu
com o indiano as estratégias de sobrevivência aos trópicos.
Naqueles climas horrendos de Goa e da costa de Malabar,
de quando batem as monções, no estafante calor, conheceram as vivendas
rústicas cobertas de palhas, com paredes ora de barro, ora das mesmas
palhas - o mais legítimo antecessor dos ranchos de palha e de taipa, que
já cobriram e ainda cobrem de ponta a ponta este excessivo Brasil rural
e urbano.
A tradição hindu do rancho quadrático, geralmente construído
em declive, encontrou-se aqui com o emprego generalizado do uso da palha
nas às vezes enormes choças circulares ameríndias, muito mais
sofisticadas aliás do que as casinhas indianas.
Era o reencontro do mesmo material. Jamais da mesma
concepção de moradia. O índio brasileiro vivia em comunidades tribais
muito socializadas. Nos belos domos de palha viviam diversas famílias ou
suas partições etárias, funcionais e rituais. Já portugueses e hindus,
que conheciam os limites entre os espaços públicos e os privados, eram,
a bem dizer, sociedades urbanizadas no sentido aldeão, unifamiliares,
não tribais. As casas, indivualizadas, integravam-se a quarteirões
compostos por parentescos e por antigas alianças.
O rancho de palhas asiático, importado pelo português
para a colonização do Brasil tem planta quadrática, e ao contrário do
rancho ameríndio, redondo, com a fornalha ao centro, tem seu fogão na
parte mais baixa da casa.
O fogão, no meio rural ou na moradia pobre, não costuma
ter chaminé, pois a própria casa é a chaminé, criando um micro-clima
interno saturado de vapor quente, que, conforme as disposições
climáticas externas, acondiciona o ambiente da casa a manter secos os
pisos de terra batida da moradia. Essa, a lógica ambiental da mais
rústica e disseminada vivenda brasileira. O rancho de palha, ou a sua
versão de paredes barreadas. Onde morava um sábio alienado,meio
ocidental, meio índio, o Jeca-Tatú.
O barreamento dos ranchos é uma sofisticação contra as
insinuações dos ventos e das chuvas. E sobremodo, nas regiões onde a
seca é prolongada, um excelente veículo para a umidificação do
micro-clima doméstico. Qualquer barro não-cozido que vire parede,
conserva as propriedades do solo. É chão que vira parede e com isso leva
suas propriedades de captação hídrica.
Mesmo nos mais árduos momentos de estiagem, em clima
quase de deserto, com os higrômetros registrando 15% de umidade relativa
do ar, qualquer habitação moderna, pelo efeito do aguadeiro das
cozinhas, dos banhos, plantas de apartamento e outras costuma ter,
internamente, uns 20 a 25% a mais de umidade.
Já nas habitações tradicionais de barro, a umidade
relativa interna, à sombra, sobe a 30, a 40, às vezes a 50% de umidade
externa, em benefício geral.
É que o barro não-queimado, à exemplo do barreado, do
universal adobe, e da taipa de pilão - ao contrário dos tijolos
queimados ou prensados - conservam em sí enormes moléculas com
capacidade e até mesmo voracidade de armazenar água nas madrugadas mais
secas, armazenando garoa da noite.
No dia seguinte, a ação mecânica do sol e dos ventos
sobre as paredes de barro impulsionam para o interior da vivenda a água
armazenada nas mega-moléculas de barro in natural, fazendo alí aquele
contraste absurdo do dobro, às vezes quase o triplo da umidade relativa
externa.
Se as casas de barro reencontradas pelos portugueses na
Índia e na China adaptavam-se bem às monções, aos calores tropicais,
como se comportariam nas chuvas torrenciais?
A solução passava pelo antiquíssimo fogão à lenha, sem
chaminé. Mas passava também por outra solução original, que dependia de
disponibilidade de madeiras nas regiões: o soalho de madeira corrida,
assentado sobre um falso porão, que a nada mais servia, nas casas
urbanas, do que para separar a casa da umidade direta do solo, e
adicionalmente, fornecer-lhe um estoque de ar quente por baixo.
Muitas vezes esses falsos porões eram inteira ou
parcialmente murados, deixando para sua aeração, de tanto em tanto,
pequenos gradis ou óculos que cumprissem aquela função. Eram assim na
casa do meu avô em Anápolis. E era uma casa moderna, construída nos anos
1920, dispondo já de alpendre e jardim.
Mas o folclore popular às vezes situa nos porões,
absurdamente, a mancha negra das senzalas. Enorme figuração
imaginária. Nenhum senhor de escravos, em sã razão, iria meter seus
caros servos em tão doentias condições dos porões. A menos que as casas
estivessem abarrotadas, como no Rio de Janeiro dos anos 1850, com
estoques de café, propiciando pela exiguidade e má sanidade uma
sequência de epidemias de cólera-morbis, febre amarela e outros.
Escravos, principalmente no século 19, eram um bem caríssimo, sobremodo
as escravas de leite, que regulavam suas gestações pelas gestações da
senhora, de forma a esta - segundo os costumes do século 19 - manterem
seinhos salientes à mostra, enquanto os das escravas de leite,
amamentando os sinhozinhos e seus próprios filhos, de tanto chupados,
iam parar à altura dos umbigos, como revela a iconografia da época.
E nos porões, o que se passava? Nada. Usualmente
serviam só para acumular ar quente e comprimido, que além de liberar a
antiga casa das friagens do solo, formava, já vimos, um bolsão de ar
quente, que somado às pressões de ar quente do fogão de lenha, mantinha
a casa de terra liberta das umidades do tempo da chuva.
Não eram simples casas, essas dos antigos tempos. Eram
autênticas fábricas ambientais de morar. Com uma falha grave no sistema:
o fogão de lenha. O problema é que o uso ininterrupto do fogão, com sua
fumaça desidrata a pele, envelhecendo precocemente os moradores da casa,
o que se pode constatar de nossos tempos em algumas regiões brasileiras.
Mas, onde enfim o corpus histórico da arquitetura
brasileira?
No que nos habituamos chamar de "vernáculo barroco
colonial brasileiro" talvez tão só tenhamos uma idéia tornada em
ideologia, crescida à sombra da grande e genial árvore do inventor do
patrimônio histórico brasileiro - Rodrigo de Mello Franco - estendendo
suas generosas galhadas por sobre Lúcio Costa, Niemeyer, Sílvio de
Vasconcellos e toda a 1ª geração da moderna arquitetura brasileira. E a
poetas, como Mário de Andrade e Carlos Drummond.
Pouco existe - a não ser como concepção ideográfica - o
barraco colonial brasileiro, em pelo menos dois de seus termos: nem
barroco, nem colonial.
Barroco, porque entre nós foi ilimitado conceitualmente
e apesar de diferentes linguagens, a literatura como que nos diz cobrir
os três primeiros séculos do período colonial português no Brasil, mas
já não o século XIX. Pois já não éramos País Independente? - Onde meia
dúzia de arquitetos franceses plantaram uma dúzia de prédios
neo-clássicos no oceano brasileiro que continuava, no entanto, a
produzir "barroco"?
Pode ser que, no litoral brasileiro, a arquitetura
religiosa pague altos tributos à portuguesa e menores à italiana, mas me
parece - via construtores da novíssimamente ordem jesuita - seriam
modelos novos de exportação para a cristianização, mais pelo império da
fé do que pela inércia das tradições arquitetônicas antigas do Reino. Se
em Portugal os há de recorte jesuíta, provêm do mesmo propósito
regenerativo do império inaciano da fé.
O mesmo se aplica às construções
militares nos portos tropicais, onde a velha tradição de castelos
portugueses de pouco valia, substituidos no novo mundo por plantas
defensivas mais simples e eficazes, adaptadas à nova era dos canhões de
alcance longo, marítimos. São relativamente escassos em Portugal.
Se predominou entre nós o esquematismo e o simplismo
jesuita, a arquitetura religiosa no Brasil levava, originalmente, a
marca de ofício das ordens monásticas construtoras. Algumas eram
antiquíssimas, como a de São Bento; outras medievais como a de São
Francisco, e só uma particularmente moderna, já vimos, a Companhia de
Jesus. Mas todas pioneiras contemporâneas da conquista dos novos mundos
evangelizáveis.
Os mosteiros tinham seus padres engenheiros, seus
artistas cinzeladores, suas escolas de artifíces. Construir igrejas na
América ou na sofisticada Ásia passou a ser um símbolo de marca e
ostentação, ao mesmo tempo propaganda do novo na Europa entulhada de
medievalismo grosseiro e de um novo esfuziante estilo condizente com o
status adquirido pelos novos ricos aventureiros da América.
As igrejas franciscanas da Paraíba e Pernambuco são os
exemplos disto: a melhor e mais elegante arquitetura antiga do Brasil,
quiçá das Américas.
É arquitetura nova, americana, livre para assumir vastas
dimensões, liberta dos entulhados espaços metropolitanos, ardente na
vaidade de seus arquitetos inovadores. Só há um entrave legado da velha
tradição, muito portuguesa por sinal: a quadrática torre sineira. Esta
sim descende - talvez por falta de alternativa técnica - da torre de
menagem do castelo medieval. Encimada pela cúpula franciscana ou pela
pirâmide beneditina vigerá por três séculos na arquitetura brasileira
antiga.
Nas capitais do Vice-Reino - Salvador e Rio de Janeiro -
tanto franciscanos, quanto beneditinos, quanto carmelitas e capuchos e
os onipresentes jesuitas, e ainda engenheiros civis, erguerão suas
babilônias, aplastradas, após diversas reformas, em legítima arquitetura
brasileira antiga.
Mas a arquitetura jesuíta espalhou-se mais que todas. A
ordem era novíssima, (de 1540), e nascera para evangelizar o novo mundo.
Não formara ainda escolas de arquitetos, como os franciscanos.
Justo talvez por esta falha deriva por partido
arquitetônico simplório, acompanhando as missões de esgarçados indígenas
refugiados da guerra às fronteiras da colonização, tornando-se por
excelência (mudará mais tarde) o cânone das comunidades pobres: uma,
duas torres laterais, o frontão triangular, a residência simples, raras
arcadas. Enfim, exultante ao encontrar a taipa nacional, - asiática do
litoral e do sertão, exceto - pasme-se - nos monumentos políticos
tardios das missões gaúchas! Passaram-se dois séculos, já tinham ali
vernáculo mais sofisticado.
Já a arquitetura civil, depois de passagens do lusitano
pelo trópico indiano, parece lixar-se para a tradição ibérica. A peça
mais usada da habitação é a arejada varanda, nome vindo, diz o
dicionário de R.L.Turner, do indo-ariano asiático, do sânscrito
"Váraté". Monjolo, o popular pilão hidráulico, como o nome indica,
também é de herança hindú.
Depois que o colonizador português aprendeu os fartos
potenciais de uso da floresta tropical,acionando-se a lei do menor
esforço, pos-se em andamento uma autêntica revolução estrutural nos
sistemas construtivos no novo mundo. Em vez das cantarias de pedra da
velha tradição lusitana medieval, (ainda empregada em construções de
igrejas e mosteiros litorâneos e na casa-forte baiana de Garcia
D`Ávila), brevemente a tudo avassalará a casa inteiramente estruturada
com o generoso madeirame tropical. E em vez das paredes de blocos
rochosos ou grés, paredes de barro de diferentes técnicas,
principalmente o pau a pique, quase exótico em Portugal, senão que
inexistente.
Falta madeira na metrópole, devorada no século das
navegações pelo turbilhão dos estaleiros navais - a ponto de
transferirem-se logo para o Brasil boa parte dos armadores portuguêses.
Tal a escassez de madeira no reino que o nosso José Bonifácio de Andrada
e Silva, estando por lá em princípios dos 1800, propôs como emergência
um plano de reflorestamento de Portugal...
Isto, com o que podemos chamar de vernáculo construtivo
brasileiro litorâneo dos anos 1500 e 1600. Já mestiço. Já brasileiro.
Quando sobrevem a colonização aurífera do interior do
país (em Minas Gerais, antes em São Paulo) acentua-se a já antiga
tradição brasileira nas artes da carpintaria naval e o uso de madeira
adquire dimensões gigantescas, com as vastas disponibilidades de
relictos da mata atlântica que cercava, as cidades clássicas das
montanhas centrais de Minas.
O vernáculo do interior montanhês, que
talvez deva certa inspiração, jamais estudada, às modas arquitetônicas
vigentes então no Império Austríaco, e pelo início, tanto a mestres
bahianos quanto aos paulistas de tradição construtiva jesuita. Quem sabe
se de construtor goense inspirado pelo Feng-Shuei, como se adivinha nos
telhados de pagode da cidade do Serro?
Quando adentra porém a mineração no Cerrado de Goiás,
Mato Grosso e das mesmas Gerais, fracos de madeira e de pedras de
cantaria, o estilo aplastra-se, embute-se, adequa-se a uma mesologia
mais escassa. Surge o vernáculo Cerrado. E pela sua simplicidade e
eficácia, espalha-se por todo o interior brasileiro.
Todos esses estilos neo-brasileiros atingem a apoteose
no longo século do Império. Herdam das escolas tardias do Aleijadinho -
talvez tão gênio na arquitetura quanto na escultura, - e dos artífices
de Minas, culminando com a audácia vertical do Rio de Janeiro no século
19, como se vê nos desenhos de W.J. Burchell em 1828, a mais importante
iconografia do Brasil antigo sob o ponto de vista de história da
arquitetura.
Parece-me então, por todo o exposto, de que pouco existe
arquitetura "colonial" brasileira, a menos que a consideremos apenas
como marco político, o que não pode ser determinante em matéria de
tradições construtivas. Existe arquitetura antiga - devidamente
miscigenada com inevitáveis estilos e modas do grande ramo do vernáculo
ocidental - mas estrutural, funcionalmente e mesmo arquitetônicamente, é
fundada coisa brasileira.
Não se trata de negar a umbelical, a genética filiação
da arquitetura antiga brasileira ao seu tronco mas de entender-se que
transposto o trópico do Equador, no Brasil amplificou-se ou agigantou-se
por tal forma o debuxo português que é mais realista falar-se de
tradição Brasileiro-portuguesa do que o contrário. A exemplo do fado,
introduzido em Portugal, com base no lundú brasileiro, pelo carioca
famoso do século XVIII, Domingos Caldas Barbosa. Ou dos prodigiosas
conseqüências alimentares do milho cultivado pelo indígena brasileiro e
introduzido na dieta ocidental.
Duas ou três igrejas de pedra construidas a baixo custo
em Portugal (para servir também como utilíssimos lastros de navios), não
podem utilizar-se a pretexto para a formulação de um automático
raciocínio de alinhamento colonial ou cultural, obscurecendo o fato de
que pouquíssimos são os monumentos ou cidades do antigo reino capazes de
ombrear, pelo menos no que hoje resta, com as grandes e opulentas
cidades brasileiras do período.
Não se trata de rejeitar a matricialidade da cultura
arquitetônica portuguesa mas a construção ideológica do olhar
colonialista tanto o nosso como o alheio. Pode existir maior estafermo
do que repetir-se a generalização (ou a frase de efeito, em que os
fanceses são mestres) de um preconceituoso Levi - Strauss ou de um André
Maulreaux, extasiado com Ouro Preto, de taxar a melhor arquitetura do
mundo no século XX - a de Oscar Niemeyer em Brasília - de "barroca"...?
"Barroca" como? Pelas nuances de branco do concreto
aparente? É Ouro Preto, "barroca" , ou foi apenas uma cidade rica,
capital da rica província de Minas Gerais, reconstruida com opulência
durante a decadência do ouro e no século XIX, com as rendas de uma forte
economia regional?
Também o gênio na história - como o próprio Niemeyer -
tem sido categoria muito maltratada e incompreendida pelos
historiadores.
Ao cerrarem-se as fechaduras realmente meritórias do
século XX, quem há de lembrar-se a gosto de algo de Le Corbusier, ou da
feiura industrial de uma Bauhaus, responsável talvez pela baixa
qualificação estética da arquitetura do século no concerto dos outros
séculos?
Daqui a cem anos, desemocionalizados o tempo e as
ideologias, o esteta do futuro renderá justiça à uma das mais belas
praças da história da humanidade - a de Niemeyer em Brasília - e andará
se perguntando o que teriam feito de belo uns desconhecidos Corbusier ou
Walter Gropius.
São hipóteses a considerar-se, talvez excessivamente
radicais em suas formulações antitéticas, mas com alguma aptidão para
franquear certa reflexão sobre as bases do nosso pensamento
histórico-arquitetônico.
PAULO BERTRAN é pesquisador do Instituto de Pesquisas Históricas do
Brasil Central de Goiânia
Fotos: Paulo J.S. e João Fernandes
Altiplano.com.br (Goiânia, Goiás, Brasil, 2000)
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