PRAIA, PESCARIA E ÁGUA FRESCA

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Os encantamentos do Rio Araguaia

De maio a setembro, quando baixam as águas do Rio Araguaia, maravilhosas praias de areia branca surgem nas margens ou em forma de ilhas e imensos cardumes passam a desfilar pelo leito.

É mais que o bastante para agitar pescadores de todo o País, principalmente os goianos, e levar milhares de outro tipo de turista: aquele que não quer fazer nada e, ao mesmo tempo, não dispensa urbanidades como festas e boates ou esportes náuticos. Nesse caso, são grupos de jovens e famílias inteiras que abrigam-se em barracas de palha montadas só para este fim ou nos ranchos, uma mistura de hotel e colônia de férias.

É uma tradição que começou há 60 anos, com famílias tradicionais de Goiânia que passaram a acampar nas praias do Araguaia nas férias de julho e, na base da pescaria, fizeram a fama da região.
Nesse quadro, quem não quer sair do urbano deve se dirigir às cidades de Aruanã (GO) ou as vizinhas Aragarças (GO) e Barra do Garças (MT). Quem preferir uma estada, digamos, mais selvagem, os melhores destinos são Cocalinho (MT), Xixá (GO), Bandeirantes (GO) e Luiz Alves (GO).

Para todos, longe ou perto das cidades, há natureza de sobra. Apesar da crescente depredação, ali ainda é um dos grandes trechos preservados do Brasil. A começar do deslumbrante pôr-do-sol e das noites de lua cheia, a lista inclui grandes matas e ambientes alagadiços, tartarugas, jacarés, botos, pacas, antas, veados, onças e uma infinidade de aves - entre elas as araras e o jaburu, este a mais majestosa visitante das praias.

Mas o que torna o Araguaia um rio clássico é o desfile que acontece em suas águas. Os protagonistas são os milhares de peixes que, covergidos em gigantescos cardumes, fascinam pela exuberância e a beleza.

São 120 espécies identificadas somente no Médio-Araguaia, trecho que vai de Aruanã à Ilha do Bananal, conforme pesquisa do biólogo Francisco Leonardo Tejerina, da Universidade Católica de Goiás. Na lista, entre outros, estão curimatãs - o mais presente, pintados e filhotes, os preferidos dos pescadores tanto para fisgar quanto para ir para a panela.

Há ainda um peixe especial: o aruanã, que povoa a mitologia da nação Karajá - habitante histórica da região. Essa espécie é reconhecida como uma "entidade" pelos índios, em sua relação homem-natureza, o que talvez explique um pouco do encantamento que o Araguaia causa em todos aqueles que o conhecem. Afinal, não é uma história de hoje. Segundo estudos, foram possivelmente os antepassados karajás que começaram a "mania" de freqüentar as praias ali. Isso foi há cerca de 800 anos e eles nunca mais pararam.

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*Reportagem de Paulo José
Altiplano.com.br (Goiânia, Goiás, Brasil, 1999)