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TEMPO DE TROMBA

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Enchentes imensas e repentinas mostram a força
da natureza do cerrado na época da chuva

Quando as chuvas se intensificam no cerrado, de outubro a março, é possível ocorrer, sobretudo nas regiões com significativos acidentes geográficos, um dos mais impressionantes, imprevisíveis e violentos fenômenos da natureza: a tromba d’água - como a da foto acima.

Trata-se normalmente de grandes e carregadas nuvens, que em dias muitos chuvosos, normalmente sem raios e trovões, chegam a tocar o topo das serras, no caso do Planalto Central Brasileiro. Quando encontram-se com nascentes altas, tornam-se liqüídas e praticamente "desabam" de uma vez, provocando uma forte e imensa onda que vai inundando (e levando) tudo pelo caminho a velocidade espantosa. Em alguns casos, o nível da água chega a subir até 20 metros em apenas 5 minutos, conforme o constatado pelo Ibama.

Um dos locais onde a tromba ocorre com mais freqüência é na Chapada dos Veadeiros, no nordeste de Goiás. Ali, sobretudo nos rios Preto e São Miguel - que nascem em altas cabeceiras e correm por entre fendas de morros - os registros são comuns e já fizeram pelo menos seis vítimas fatais.

As fotos que ilustram esta reportagem revelam o efeito do fenômeno na paisagem. São dois momentos do Rio Preto, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, ambos no período chuvoso. Na foto menor, o lugar é visto em um dia comum e o rio, mesmo cheio, quase não aparece.

A foto maior, feita do mesmo local em 1996, mostra a onda formada pela queda de uma tromba cerca de 20 minutos depois de sua passagem. Repare que é tanta água que as grotas e pedras vistas na outra foto desapareceram e as margens foram completamente inundadas. Nesse caso, o nível estava variando entre cinco e dez metros acima do normal.

A mesma foto revela também uma tragédia. As pessoas entrando perigosamente no rio tentavam socorrer um grupo de três pessoas que havia ficado ilhado por causa da tromba. Outras duas pessoas - uma adolescente francesa e um guia brasileiro- não tiveram a mesma sorte, foram arrastados pela onda gigante e seus corpos só foram encontrados cinco quilômetros abaixo.


Fotos de Adriana Auad e Paulo José
Altiplano.com.br (Goiânia, Goiás, Brasil, 1999)