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Uma igreja, um poço e muitas lendas
Marco das incursões de mineradores aventureiros no Sudeste Goiano no século XXVIII, A Igreja do Senhor do Bonfim (foto), construída no início de 1800, recentemente restaurada e atualmente candidata a patrimônio histórico de Goiás, é depositária de muitas histórias e lendas que resistem a mais de 200 anos de existência. Sob suas paredes de adobe e paus-a-pique, atualmente em restauração, conta uma delas, restaria o maior e mais rico veio de ouro, esquecido em volta de diversas outras lavras exauridas e abandonadas. Bem alí, no centro de um dos mais antigos núcleos coloniais do Planalto Central, cidade hoje denominada Silvânia, localizada a 80 quilômetros de Goiânia. Como qualquer outra, essas lendas são como um fio imaginário ligando o presente a uma verdade que não deve ser esquecida no baú sem fundo do passado. Em grande número, remontam os tempos da delirante procura do ouro no sertão subúmido brasileiro.
Madre de Ouro A lenda da Madre de Ouro, descrita pelo escritor Hugo de Carvalho Ramos, fala de uma enorme pedra de mágicos poderes, que irradia intenso e brilhante raio e assim inebria e cega de deslumbramento e cobiça os olhos mortais alí empenhados. Se curiosos e mergulhadores tentam, em vão, surpreender o segredo de tamanho encantamento, mergulhando nas frias e profundas águas do poço da roda, onde se deposita, em eterno retiro, a misteriosa pedra, logo, o pune de morte..." O Poço da Roda é uma mina profunda, escavada por escravos e inundada pelo afloramento do lençol freático en fins de 1700. Assim como outras escavações auríferas na região, permanece praticamente intocado, com suas águas frias e profundas, ao vivo e em lenda.
*Reportagem de Evandro Bittencourt *Foto de Suzy Simon Altiplano.com.br (Goiânia, Goiás, Brasil, 1999) |