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Ainda desconhecidos, anfíbios
do Cerrado estão ameaçados

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Dentre os biomas brasileiros, o Cerrado destaca-se por ser um dos menos conhecidos em termos de sua fauna de anfíbios (sapos, pererecas e rãs). Apesar disso, ele conta com uma vasta quantidade de espécies. Informações como esta integram pesquisa recente do 'Projeto Diversidade de Anfíbios no Cerrado e Prioridades para sua Conservação em Cenários Futuros de Mudanças Climáticas'.

Os resultados mostram dois quadros, um bom e um ruim. O bom revela a pluralidade do bioma. Foram identificadas 204 espécies de anfíbios, número que deve aumentar nos próximos anos, uma vez que novas espécies continuam sendo catalogadas. Somente em 2010 foram descobertas 12 novas espécies de anfíbios.

A quantidade de espécies endêmicas, isto é, que são exclusivas da região também é grande. Cerca de 50% das espécies catalogadas no projeto são exclusivamente do Cerrado. Dentre as 90 espécies endêmicas analisadas, mais da metade (52) não estão satisfatoriamente protegidas, sendo que 19 delas estão completamente fora de unidades de conservação. Apenas seis espécies de anfíbios exclusivos do Cerrado foram consideradas como protegidas e 32 espécies podem ser consideradas como parcialmente protegidas.

A notícia ruim é que a população de anfíbios do Cerrado vai sofrer redução do seu habitat devido aos efeitos das mudanças climáticas previstos para os próximos anos. Apesar de não existirem projeções específicas para o Cerrado, diferentes modelos climáticos numéricos preveem para o final do século XXI um aumento de temperatura de 1,5 a 8 º C e reduções pluviométricas de até 4 mm por dia em determinadas regiões do Brasil.

“Os anfíbios são um dos grupos de animais mais vulneráveis a alterações no clima, como temperatura e umidade. Se os ambientes onde eles vivem não estiverem bem protegidos, os impactos das mudanças climáticas sobre eles serão ainda mais intensos e, por isso, há necessidade de se proteger o ambiente onde eles vivem”, afirma a responsável técnica pelo projeto e professora da Universidade Católica de Brasília, Débora Leite Silvano.

Áreas prioritárias
Um dos problemas, segundo ela, é que o Cerrado vem sofrendo com altas taxas de destruição de seus habitats e apresenta uma baixa porcentagem de sua área protegida por unidades de conservação. “Considerando os cenários futuros de mudanças climáticas e a tendência de devastação do Cerrado, a maior parte das espécies de anfíbios da região do Cerrado deverá sofrer redução em sua área de ocorrência. Segundo o projeto, oito espécies sofrerão uma perda da maior parte de sua área em 2050”, ressalta.

A pesquisa traçou um planejamento para conservação dos anfíbios do Cerrado brasileiro, considerando futuros cenários de mudanças climáticas. Uma das principais ações foi a indicação de áreas prioritárias para conservação de espécies de anfíbios endêmicas do Cerrado. Entre elas estão as depressões dos rios Araguaia e Tocantins e do alto-médio São Francisco, as chapadas do rio São Francisco, no oeste baiano, a porção norte do Planalto Central, o Planalto dos Guimarães e a Serra do Espinhaço.

“A pesquisa gerou um grande volume de informações que pode ser utilizado em ações práticas de conservação, tais como a revisão da lista oficial de espécies ameaçadas de extinção e a atualização das áreas prioritárias para conservação no Cerrado. Além disso, a publicação dos resultados da pesquisa fornecerá subsídios para o planejamento de ações futuras de conservação em cenários previstos de mudanças climáticas e perda de habitat”, conclui Débora.

O trabalho foi realizado pela ONG Pequi – Pesquisa e Conservação do Cerrado, com apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

Fotos: Paula H. Valdujo



Projetos de conservação da
biodiversidade tem financiamento

A Fundação Grupo Boticário é uma das primeiras instituições nacionais ligadas à iniciativa privada a financiar projetos de conservação da biodiversidade brasileira. Em 20 anos de atuação, quase US$ 10,6 milhões já foram doados para 1.266 projetos de cerca de 400 instituições de todo o Brasil. Como resultados desse apoio, pesquisas resultaram na descoberta de 37 novas espécies de plantas e animais, bem como a proteção de 167 espécies ameaçadas de extinção. Ainda por meio do apoio a projetos, a Fundação Grupo Boticário também financiou a criação, proteção ou manejo de 235 unidades de conservação no Brasil.

As linhas de apoio da Fundação Grupo Boticário são destinadas a pessoas jurídicas sem fins lucrativos, como organizações não-governamentais ou fundações e associações privadas. Mais informações sobre apoio a projetos estão disponíveis em www.fundacaogrupoboticario.org.br, na seção O que fazemos > Apoio a Projetos.

Sobre a Fundação Grupo Boticário – A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza é uma organização sem fins lucrativos cuja missão é promover e realizar ações de conservação da natureza. Criada em 1990 por iniciativa do fundador do Boticário, Miguel Krigsner, a atuação da Fundação Grupo Boticário é nacional e suas ações incluem proteção de áreas naturais, apoio a projetos de outras instituições e disseminação de conhecimento.

Desde a sua criação, a Fundação Grupo Boticário já doou quase U$ 10,6 milhões para 1.266 projetos de cerca de 400 instituições em todo o Brasil. A instituição mantém duas reservas naturais, a Reserva Natural Salto Morato, na Mata Atlântica; e a Reserva Natural Serra do Tombador, no Cerrado, os dois biomas mais ameaçados do país. Outra iniciativa é um projeto pioneiro de pagamento por serviços ambientais em regiões de manancial, o Projeto Oásis.

Na internet
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Publicado por
Altiplano.com.br
Goiânia, Goiás, Brasil - Outubro/2011