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O olhar da alma
Imagens do antropólogo Jesco von
Puttkamer tornam-se Memória do Mundo

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Está fazendo um ano que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) conferiu o selo de “Memória do Mundo” para a coleção audiovisual “Jesco von Puttkamer”, do Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia (IGPA) da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás).

É, até agora, o primeiro e único conjunto de documentos a ter esse selo no Estado de Goiás. O reconhecimento aumentou a exposição do acervo e já rendeu artigos e livros.



O “Memória do Mundo” é um programa da Unesco que reconhece patrimônios documentais de significância internacional e confere ao documento, ou conjunto de documentos, um certificado, que os identifica e valoriza. Essa iniciativa facilita a sua preservação e acesso, sem discriminação, além de trabalhar para despertar a consciência coletiva sobre a importância do ‘Patrimônio Documental da Humanidade’. A concepção da iniciativa é que o patrimônio documental mundial pertence a todos, devendo ser plenamente preservado e protegido.



“Com esse selo o acervo Jesco ganhou a mais importante aliada para sua preservação e devida valorização: a humanidade”, destaca o professor Julio Cezar Rubin de Rubin, diretor do IGPA. “Com toda certeza, esse é o coroamento da produção do professor Jesco, tornando seu trabalho de mais de 50 anos, junto aos índios do Brasil, um patrimônio do mundo.

A equipe sente muito que ele, Jesco, não possa ter tido, em vida, a honra de partilhar desse seu reconhecimento mundial”. Jesco Von Puttkamer faleceu em 1994, deixando seu legado à humanidade aos cuidados da Católica de Goiás, instituição na qual ele foi colaborador e pesquisador por mais de 20 anos e que mantém um centro cultural com o seu nome.

Momentos da humanidade


Em 40 anos de atividade, junto às sociedades indígenas brasileiras, fez aproximadamente 43 mil slides, 2.800 páginas de diários de campo e 1.081.060 pés de filmes referentes a 60 povos. É brasileiro de Macaé (RJ) e formado em Engenharia Química pela Universidade de Breslau. Na segunda guerra, foi acusado de espionagem e condenado à morte pelos nazistas.

Fugitivo, Jesco contou com a ajuda norte-americana e se integrou ao programa de repatriamento de brasileiros. Escapou e veio para o Brasil, foi sertanista e indigenista na Marcha para Oeste e registrou a construção de Brasília. Morreu em Goiânia, em 1994, aos 77 anos.

A fotografia surgiu em sua vida através do convite para documentar os campos dos deslocados e registrar os acontecimentos no Tribunal de Nurenberg, feito pelo governo militar da Bavária. Foi correspondente de guerra para jornais norte-americanos e brasileiros.

Como indigenista, fez viagens pelo interior do Brasil e, juntamente com os irmãos Villas Boas, Francisco Meireles e outros, participou das frentes de atração aos índios Txukahamãe, Txicão, Suruí, Cinta-Larga, Marúbu, Kámpa, Kaxináwa, Waimiri-Atroarí, Yanomami, Hixkaryana, Urueuwauwau, dentre outros. Por essa vida dedicada a causas diversas e esse registro precioso, contínuo e coerente, Jesco e suas imagens tornaram-se merecidamente "memória do mundo". O mundo agradece.




Fotos: Jesco von Puttkamer - Acervo do IGPA, PUC Goiás

Publicado por
Altiplano.com.br
Goiânia, Goiás, Brasil - Novembro/2010