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A natureza feminina
Artistas adotam o
Cerrado e a Amazônia

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Pinturas de Adriane Campos (em cima) e Jordana Hermano

Paulo José*

Jordana, Adriane, Cristina, Evandra, Graça e Wilma são algumas das artistas que, nos últimos anos, pegaram o rumo da natureza e começaram a traduzir a flora, a água, a fauna e a paisagem do Cerrado e da Amazônia em expressões coloridas, íntimas e genuinamente brasileiras.

Nas suas obras, aparecem também humanos, casas e cidades, mas as várias exposições ao longo deste 2010, consolidam uma tendência de valorizar a alma de plantas e bichos e fazer um inventário do patrimônio natural de cerratenses e amazonenses. O fenômeno não é exclusivamente feminino, mas o é majoritariamente.

“Depois de longas caminhadas e pescarias em outras terras e outros mares, voltei ao Cerrado, minha terra, revivi e trabalhei. Reencontrei minha origem, essência, com muito ainda pra aprender. Estou aqui e quero mostrar a minha obra” diz Jordana Hermano, em convite para a abertura da mostra de pinturas (acima), bordados e aquarelas que realizou em abril de 2010, em Goiânia. O título da exposição: “Jordana pinta o Cerrado e borda os amigos!”.

Também em abril e também em Goiânia, Adriane Campos (autora dos trabalhos acima) faz a exposição de pinturas em que a essência do Cerrado é o fio, ou melhor, o cipó condutor. Antes, em 2007, ela tinha desenvolvido o projeto: "Brasil Tropical: a exuberância de sua fauna e flora". Nas suas imagens, não raro animais se metamorfoseam em homens e vice-versa e, parece, as pessoas preferem transformar-se em onças, felinos e semelhantes. Também retrata o mundo amazônico e abandona a terra firme para mergulhar no rio, onde registra igarapés e tucunarés.

Tal qual a artista Graça Estrela (ao lado) voa e aninha-se entre as araras, casa e ambas tornam-se famosas. Caso alquímico que começou em 1982, no “grande encontro com as araras na Chapada dos Guimarães”. Foi abduzida e, quando voltou, passou a pintá-las.

Da tela para o papel, o movimento é o mesmo. São inúmeras as mulheres que hoje desenham a natureza no estilo de “ilustração científica”. Em setembro de 2010, Cristina Ferrari (autora da ilustração abaixo) e Evandra Rocha fizeram, na capital goiana, a exposição “Universo do Cerrado”, na qual flores, frutos e folhas são os objetos. É como ver de mais perto, os detalhes crescem e percebem-se coisas que, à primeira vista, são invisíveis. Antes, Geni Alexandria lançou o livro "Ilustrando o Cerrado", com 17 trabalhos de seres como bacuri, macaúba e vespa-oleira.



Na mesma linha da ilustração científica, de abril a outubro de 2010, sete brasileiras mostraram a flora e a fauna do País na 11ª edição da exposição "Foco na Natureza" (Focus on Nature - FON), realizada pelo Museu do Estado de Nova Iorque, Estados Unidos. Detalhe: o Brasil foi representado por dez artistas.

As sete ilustradoras tupiniquins são as goianas Edilma Coelho e Wilma Oliveira Ander, ambas de Anápolis; a candanga Wilma Ferrari; as paranaenses Cristina Maria Klas Bico, Maria da Penha Passos e Diana Carneiro; e a fluminense Maria Alice Rezende. A distribuição geográfica delas mostra o quanto está disseminada essa nova relação da mulher com a natureza, agora por meio da arte e numa espécie de retorno ao Jardim do Éden.


Paulo José é editor da revista Altiplano
Fotos: Divulgação

Publicado por
Altiplano.com.br
Goiânia, Goiás, Brasil - Novembro/2010