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Festa do Divino de Pirenópolis,
Patrimônio Cultural do Brasil

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Reunindo fé e tradição a celebração do Divino Espírito Santo, todos os anos, mobiliza a cidade de Pirenópolis em Goiás, recriando as festas de santos trazidas pelo colonizador português O sagrado e o profano; a realeza e o popular; a diversidade e a singularidade.

Anos e anos de fé e dedicação fizeram da Festa do Divino Espírito Santo em Pirenópolis, Estado de Goiás, a mais rica expressão da religiosidade popular cristã da cidade, onde os moradores se preparam durante um ano inteiro para festejar e participar da histórica celebração.

Todos os rituais da festa, incluindo as Cavalhadas, foram aprovados, pelo Iphan, no dia 15 de abril de 2010, como "patrimônio cultural brasileiro". É a segunda manifestação imaterial religiosa registrada no Livro das Celebrações - a primeira é o Círio de Nazaré, de Belém (PA).

Veja também:
-Álbum de fotografias das Cavalhadas
-A comida do Divino
-Livro: 'A Festa do Divino'
-Livro: 'Cavalhadas de Pirenópolis'

As festas de santos, trazidas pelos colonizadores europeus como devoção religiosa e como expressão da cultura popular e medieval, se espalharam pelo Brasil, durante o processo de colonização e ocupação do território, sendo mescladas aos cultos de matriz africana e às crenças religiosas indígenas.

Entre as que se destacam, como as festas juninas e as de Nossa Senhora do Rosário, estão as do Divino Espírito Santo, popularizadas por todo o Brasil, a partir do século XVII, por jesuítas e colonos açorianos. O culto ao Divino Espírito Santo está relacionado às comemorações do fim do ciclo agrícola, época festiva da colheita de cereais, e remete à celebração judaica de Pentecostes, quando se ofertavam os primeiros frutos da colheita ao Espírito Santo. No dogma católico, o Espírito Santo integra a Santíssima Trindade, ao lado de Deus Pai e de seu Filho Jesus, e se manifesta como uma pomba branca ou como línguas de fogo.

Festejos
A Festa do Divino de Pirenópolis é realizada anualmente desde 1819, data do primeiro registro na lista local de imperadores. Desde então, ano após ano, essa listagem é atualizada e publicada na programação da festa. É considerada uma das mais expressivas celebrações do Espírito Santo no país, especialmente pelo grande número de seus rituais, personagens e componentes, como as cavalhadas de mouros e cristãos e os mascarados montados a cavalo. Enraizada no cotidiano dos moradores de Pirenópolis, a Festa do Divino determina os padrões de sociabilidade local, consolidando-se como elemento fundamental da identidade cultural da cidade.

Os rituais têm início no domingo de Páscoa e seguem até o domingo seguinte ao feriado de Corpus Christi. O clímax da festa é no Domingo de Pentecostes ou do Divino. Os elementos essenciais incluem as Folias da Roça e da Rua, a coroa, as cerimônias e rituais do Império, com alvoradas, cortejos do Imperador, novena, jantares, cafés, missas cantadas, levantamento do mastro, queima de fogos, distribuição de “verônicas”, sorteio e coroação do novo Imperador.

Já as Cavalhadas encenam batalhas medievais entre mouros e cristãos – em honra do Imperador e do Espírito Santo. Elas começam no domingo de Pentecostes e vão até terça-feira à noite, quando rezam ao Divino e descarregam as armas, encerrando o Império.

A festa é aberta no sábado pelos Mascarados – onças, capetas, caveiras, bois com grandes chifres e monstros – que ao meio-dia anunciam a abertura da festa na véspera de Pentecostes. Eles circulam pela cidade e no Campo das Cavalhadas, no intervalo das encenações.

Salvaguarda
A pesquisa realizada pelo Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan constatou que a Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis apresenta todos os pressupostos que permitem entendê-la como um “fato social total”. É um sistema de produção e circulação de bens e de dádivas baseados na reciprocidade, interferindo em todas as dimensões da vida social local. A própria comunidade descreve a festa como “patrimônio de valor inestimável” e investe na manutenção da tradição.

No entanto, o Iphan detectou o risco de alguns problemas pontuais, como a possibilidade do impacto negativo com a utilização da Festa apenas como atrativo turístico. Desta forma, as medidas de salvaguarda visam enfrentar os problemas que possam ameaçar a manifestação cultural.


Fonte: Iphan
Fotos: Wagmar Alves

Publicado por
Altiplano.com.br
Goiânia, Goiás, Brasil - Setembro/2010