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Uma cápsula
do tempo no Paraitinga

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O passado guardado numa caixa. Foi isso o encontrado, em março deste ano, nos escombros da Igreja Matriz São Luiz de Tolosa, em São Luiz do Paraitinga, Estado de São Paulo, que desabou no início do ano com a enchente que inundou a cidade.

O achado, uma espécie de cápsula do tempo, estava "enterrada" na parede da Capela Mor e é uma caixa de madeira de cor branca, lacrada com cera e contendo documentos e anotações sobre a comunidade local no ano de 1927. Segundo os relatos, foi colocada na parede, pelo então coletor estadual de impostos Romillo Guimarães, quando o prédio, edificado no século XIX, passava por uma ampliação em 1927.

A Diocese de Taubaté explica que a iniciativa de Romillo é um ritual que a Igreja Católica mantém até hoje quando uma nova igreja é construída ou passa por reforma significativa. No caso da matriz, em 1927 foi construída uma segunda torre.

Depois de entregue ao Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a caixa foi aberta no Museu Casa de Oswaldo Cruz, no dia 24 passado, pelo filho do corretor, senhor Ary Guimarães, 83 anos, que na época tinha 1 ano, orientado pelos técnicos do instituto. O ato solene de abertura da caixa teve a presença da prefeita Ana Lúcia Bilard, representantes da Diocese de Taubaté e da superintendência estadual do Iphan, além de técnicos e populares.

O achado foi feito pela equipe técnica da Construtora Biapó, que participa dos trabalhos de salvamento dos imóveis na área tombada pelo Estado em São Luiz do Paraitinga.

Polianteia
Os documentos e jornais ficaram expostos cerca de 30 minutos e serão mantidos nas condições adequadas para sua preservação, e copiados para servir como fontes de informações e pesquisas sobre São Luiz do Paraitinga.

Denominado de polianteia, o principal documento encontrado, além de jornais e outras publicações do ano de 1927, foi um caderno manuscrito com quase duas centenas de páginas, com nomes de moradores, fotos, descrições de prédios e de estabelecimentos, informações sobre políticos e autoridades da época.

De acordo com a equipe da Biapó, a localização de artefatos dessa natureza só é possível devido ao esmero e aos cuidados dos técnicos e ao trabalho manual da equipe.

"É uma surpresa muito agradável encontrar material dessa natureza. Nosso trabalho está indo muito bem com a recuperação de diversas imagens, de todos os três sinos da matriz e de cerca de 40% do forro da igreja", informa o arquiteto Adriano Carvalho, da construtora, lembrando que graças a esse trabalho é possível encontrar algumas curiosidades.

Ainda foram localizados enterrados nas paredes de taipa que ruíram diversos objetos muito curiosos, como ferraduras de animais, projéteis de fuzil e papéis com orações. Os tijolos cerâmicos maciços recuperados contêm carimbos diversos que identificam a olaria em que foram manufaturados. Esse conjunto de coisas vai compor a futura exposição 'Canteiro Aberto'.


Fotos: Nana Vieira

Publicado por
Altiplano.com.br
Goiânia, Goiás, Brasil - Abril/2010