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Paulo José

As piscinas de Caldas Novas e a natureza dos Veadeiros CLIQUE PARA AMPLIAR
O Estado de Goiás tem cidades aconchegantes, histórias, lugares exclusivos, produtos, comidas, belezas cênicas, águas e tradições. É um dos mais representativos e diversos mosaicos da cultura e da natureza brasileiras, mas quando o assunto é turismo só as águas quentes decolaram? E por quê?
Para além de investimentos em infra-estrutura e promoção de feiras, workshops, viagens de reconhecimento e trocas de experiências, algumas variáveis indicam que o turismo goiano precisa de ações permanentes e contínuas que somente a iniciativa privada pode garantir. Onde tem dado certo, é assim que se tem feito. Duas dessas ações são uma agenda de eventos ao longo do ano e o investimento permanente em publicidade.

Publicidade do Hot Park de Rio Quente na Folha de S.Paulo, em junho de 2008. Clique para ampliar
Um levantamento feito por este autor, nos últimos meses, em jornais e internet mostra que as grandes operadoras de turismo do Brasil oferecem como principais destinos praias nordestinas, Pantanal e Bonito, cidades históricas de Minas, as metrópoles Rio e São Paulo, Salvador e Chapada dos Guimarães, Foz do Iguaçu, Serra Gaúcha, Amazônia e Caldas Novas. Por que Pirenópolis, Chapada dos Veadeiros e Cidade de Goiás – três admiráveis destinos - ficam de fora?
Elas somam patrimônio histórico e natural da humanidade, cerrados, serras, cavernas e rios, arquitetura e artes, têm variadas expressões culturais, uma culinária marcante, promovem dois dos mais importantes espetáculos religiosos do País - a Procissão do Fogaréu e as Cavalhadas -, mas nem assim seu turismo cresce como deveria. Estão, por exemplo, entre as dez principais festas do País, segundo o Guia Quatro Rodas 2008. Logo, se não faltam motivos de atração, faltam iniciativas de comunicação.
Porque, a não ser por eventuais coberturas jornalísticas e um ou outro festival (uma vez, duas vezes por ano, no máximo), passado o movimento, ninguém mais ouve falar desses lugares. Olhe ao lado ou lá longe e veja quem são os concorrentes? Além dos destinos nacionais, estamos disputando clientes com cruzeiros, Aruba, Europa, Disney, Nova Iorque, Bariloche, Buenos Aires, Macchu Picchu e outros locais e produtos fortes e conhecidos.
Não dá para calcular o quanto não ganhamos por ficarmos calados, mas a realidade é que, exceto por Rio Quente e Caldas Novas, não existe publicidade dos outros três principais destinos turísticos goianos, o que claramente faz falta. Não por acaso, o fluxo é quase todo regional, derivando de Goiânia e Brasília e restrito a férias e feriados prolongados.
Por que os paulistas não gostariam de conhecer uma cidade fundada por um ancestral, em 1727, e que ajudou a construir a história e a riqueza deles? Gostariam, mas poucos sabem desse script, ninguém os lembra e o resultado é que um ou outro conterrâneo de Anhangüera aparece na Vila Boa e eles são mais de 40 milhões!
Uma enquete realizada, no sítio Raizama, na Chapada dos Veadeiros, revela que quase 100% dos turistas estavam ali por informações de amigos. As exceções tinham ouvido falar do lugar na televisão. Publicidade? Zero.
Com um outro olhar, semanalmente, no jornal Folha de São Paulo, a Pousada do Rio Quente anuncia pelo menos meia página colorida no caderno de turismo, sempre divulgando um evento ou apenas se mostrando. É o melhor resort de interior do Brasil, segundo a revista Viagem, e, como Caldas Novas, é sucesso de crítica e público.

Anúncio da CVC em junho de 2008: Caldas Novas é oferecida em duas opções, vôo fretado ou viagem rodoviária. Clique para ampliar
No mesmo caderno, uma página inteira de pequenos anúncios mostram estâncias, hotéis-fazendas e resorts do interior paulista, de Minas Gerais e de Goiás – de Goiás? Sim, mas somente de estabelecimentos de Caldas Novas, anunciada como “o paraíso das águas quentes naturais”. Uma outra agência anuncia os pacotes “Araxá com Caldas Novas” e “Araxá com Rio Quente”, em que as goianas contribuem diretamente para resgatar a aura do município mineiro, também termal e cuja atração, o Ouro Minas Grande Hotel, ficou por décadas esquecido, mas, agora, graças à uma reestruturação física e de gestão e ao apelo publicitário, volta a ser lembrado. Slogan: “o maior e mais completo spa do Brasil”.
Regionalmente, os anúncios, em jornais da capital federal, se resumem ao goianiense Castro’s Hotel, que convida os brasilienses a passear e apreciar Goiânia, e a pousada Camelot, de Alto Paraíso, que apela aos candangos com a boa energia da Chapada dos Veadeiros. Nos jornais de Goiânia, o máximo que temos são os hotéis-fazendas e os pesque-pagues da área metropolitana e, às vezes, os pirenopolinos. Mas, na duas capitais, o lugar comum dos anúncios é, de novo, Caldas Novas-Rio Quente. É claro que a região termal goiana tem mais experiência e localização privilegiada, mas os resultados mostram que o que tem feito diferença é gestão e comunicação.
Por isso, podemos e devemos querer e fazer mais para o Estado de Goiás. Turistas estão em toda parte. São o maior mercado do mundo, porque essencialmente qualquer um é turista. Mas se achamos que basta sermos lindos, não vamos conquistá-los. Precisamos nos apresentar, fazermos festa o tempo todo e convidá-los todas as vezes. Estarão, assim, sempre lembrando de nós e possivelmente nos recomendando a outrem. Turismo é sedução - às vezes, abdução.
Paulo José é jornalista e mestre em Gestão do Patrimônio Cultural
Publicado por
Altiplano.com.br Goiânia, Goiás, Brasil - Julho/2008
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